A Renault apresentou oficialmente a nova geração do Duster na Índia, um dos mercados mais importantes para a marca no momento. Mais do que um simples lançamento regional, o modelo indica o caminho que a fabricante pretende seguir nos próximos anos dentro do plano global chamado Renault International Game Plan 2027.

Com visual renovado, mais tecnologia e motorização atualizada, o SUV ganha traços inspirados no Boreal e reforça a estratégia da marca em mercados emergentes, como a Índia e, possivelmente, o Brasil no futuro.
Um ícone que ajudou a criar o segmento
Lançado mundialmente em 2010, o Duster se tornou um dos modelos mais importantes da Renault. Ao longo dos anos, acumulou cerca de 2 milhões de unidades vendidas no mundo e ajudou a popularizar os SUVs compactos em vários países.
Na Índia, o peso simbólico é ainda maior. O modelo chegou em 2012 e foi um dos primeiros SUVs compactos do mercado local. Desde então, o perfil do consumidor mudou bastante. Em 2012, os SUVs representavam apenas 12% das vendas. Hoje, já passam de 55% do mercado, um movimento muito parecido com o que aconteceu no Brasil.
Por isso, a Renault colocou a Índia no centro da sua estratégia global fora da Europa. Dentro do Game Plan 2027, a empresa investiu cerca de 3 bilhões de euros e definiu cinco polos industriais estratégicos: Índia, Marrocos, Turquia, Coreia do Sul e América Latina.
Produção local e foco nos mercados emergentes
O novo modelo será produzido na fábrica de Chennai, na Índia, unidade que passou a ser totalmente controlada pelo Renault Group em 2025 após a recompra da participação da Nissan. A planta já fabricou mais de 3 milhões de veículos desde sua inauguração.

A estreia comercial está prevista para a primavera de 2026, começando pelo mercado indiano. Depois disso, o SUV também será lançado na África do Sul e em países do Golfo.
Assim, a Renault reforça sua aposta em regiões onde os SUVs crescem rapidamente e se tornam cada vez mais relevantes para o volume global da marca.
Plataforma moderna e visual inspirado no Boreal
Desenvolvido sobre a plataforma RGMP, a mesma utilizada no Boreal, o novo SUV mostra como a Renault pretende padronizar seus projetos para reduzir custos e acelerar lançamentos.
Essa arquitetura permite compartilhar soluções de conectividade, sistemas de assistência à condução e componentes internos. Como resultado, o modelo ganha um perfil mais moderno e alinhado com os produtos mais recentes da marca.
O design também chama atenção. O visual traz linhas mais robustas e detalhes que já são familiares ao público brasileiro por causa do Boreal, reforçando a identidade visual dos SUVs da Renault.
Interior mais tecnológico
O acabamento interno segue uma proposta mais atual e conectada. O modelo conta com duas telas integradas em um único conjunto, solução já vista no Boreal vendido no Brasil.
A central multimídia foi desenvolvida em parceria com o Google, o que amplia os recursos de navegação, conectividade e integração com smartphones. Dessa forma, a Renault busca oferecer uma experiência digital parecida em seus SUVs mais novos.

Com isso, o utilitário esportivo deixa para trás a imagem mais simples das gerações anteriores e passa a competir em um nível mais elevado em termos de tecnologia.
Duas opções de motorização
Na parte mecânica, o SUV terá duas configurações principais:
Motor 1.3 turbo a gasolina, com 163 cv de potência e 28,5 kgfm de torque, sempre associado ao câmbio automatizado de dupla embreagem de seis marchas, o mesmo conjunto usado no Boreal.
Versão híbrida convencional (HEV) para o mercado indiano, equipada com motor 1.8 aspirado, bateria de 1,4 kWh e transmissão de oito marchas com atuação de dois motores elétricos.
Assim, a Renault amplia a oferta de eletrificação e acompanha a tendência global por veículos mais eficientes.
E o Brasil, fica como?
Por enquanto, a Renault não confirmou oficialmente a chegada dessa nova geração ao Brasil. No entanto, a apresentação do modelo deixa clara a estratégia da marca de reposicionar SUVs tradicionais em um patamar mais alto.
Além disso, o uso da mesma plataforma do Boreal facilita uma possível adaptação futura para a América Latina, caso a marca decida trazê-lo para cá.
O novo Duster apresentado na Índia representa mais do que uma simples atualização de produto. Ele mostra como a Renault pretende evoluir seus SUVs históricos, apostando em visual moderno, mais tecnologia e até eletrificação.
Embora o Brasil ainda não esteja nos planos confirmados, o modelo aponta para um possível reposicionamento da marca no segmento. Se chegar ao país, poderá marcar uma nova fase para um dos nomes mais conhecidos da Renault, agora com uma proposta mais atual e alinhada às exigências do mercado.









