Durante muitos anos, a autonomia foi o principal limite dos carros elétricos. No entanto, esse cenário começa a mudar de forma concreta. A marca dos 1.000 km já foi superada em veículos de produção e, até o momento, quem conseguiu esse feito foi a BYD.

Segundo dados recentes do mercado chinês, a empresa não lidera apenas em volume de elétricos vendidos. Além disso, passou a dominar o topo tecnológico da autonomia. Assim, inicia-se uma nova fase da eletrificação, na qual o alcance por carga se transforma em um indicador direto de avanço industrial.
Três modelos já ultrapassam os 1.000 km
Atualmente, o ranking do ciclo chinês CLTC mostra três veículos acima dessa marca simbólica. Curiosamente, todos pertencem ao ecossistema premium do próprio grupo.
Denza Z9 EV: 1.068 km com bateria de 122,5 kWh
Denza Z9 GT EV: 1.036 km com o mesmo pacote
Yangwang U7 EV: 1.006 km com bateria de 150 kWh
Desse modo, esses números colocam os modelos em um patamar que, até pouco tempo atrás, parecia distante da realidade dos carros de produção. Portanto, o feito representa um marco histórico para o setor.
Onde está o restante do mercado
Por outro lado, fora desse grupo exclusivo, o teto atual do mercado fica entre 830 e 900 km no ciclo CLTC. É justamente nessa faixa que aparecem modelos de marcas conhecidas como Xiaomi, Zeekr, Mercedes-Benz e Tesla.
Assim, fica evidente que ultrapassar os 1.000 km ainda é privilégio de sedãs grandes e modelos premium. Enquanto isso, a maior parte dos elétricos segue abaixo desse patamar.
O segredo não é só eficiência, é bateria maior
À primeira vista, pode parecer que o avanço veio apenas da eficiência energética. Entretanto, o principal fator é o tamanho das baterias.
Modelos acima de 1.000 km utilizam pacotes superiores a 120 kWh
Veículos entre 800 e 900 km ficam, em média, entre 90 e 110 kWh
Por essa razão, o recorde aparece primeiro em carros grandes. Além disso, esses modelos conseguem absorver melhor o peso e o custo extra desses conjuntos.
Por que esse avanço é estratégico
Mais do que um recorde, o impacto é estratégico. A BYD controla desde a produção das células até a integração do pack e do software de gerenciamento.
Com isso, a empresa avança ao mesmo tempo em escala industrial e tecnologia de ponta. Consequentemente, soluções criadas nos modelos mais caros tendem a migrar para veículos de maior volume nos próximos anos.
Reflexos no mercado brasileiro
Enquanto isso, essa estratégia começa a dialogar com o Brasil por meio da Denza, divisão premium do grupo. O Z9 GT foi escolhido como vitrine tecnológica e tem chegada prevista para 2026, com preço estimado em torno de R$ 650 mil.
Além disso, a primeira unidade simbólica foi entregue ao piloto Felipe Massa, que atua como embaixador da marca no país. Dessa forma, a empresa reforça sua imagem de inovação no mercado nacional.
A autonomia precisa ser vista com contexto
Ainda assim, é importante lembrar que o ciclo CLTC, utilizado na China, costuma gerar números mais otimistas que o WLTP, adotado em boa parte do mundo.
Mesmo assim, o avanço é relevante. Hoje, a disputa por autonomia se tornou um indicador direto de quem domina a cadeia de baterias, considerada o principal campo de batalha da indústria automotiva elétrica.
O que vem a seguir
A partir de agora, a próxima fase da corrida não será apenas aumentar a autonomia. Pelo contrário, o foco deve ser transformar essa margem extra em:
Mais eficiência no uso diário
Redução de custos
Aplicação em modelos de maior volume
Por fim, a história mostra que quem domina o topo tecnológico costuma sair na frente quando chega o momento de escalar para o mercado de massa.
Assim, a marca dos 1.000 km não representa o fim da jornada, mas o início de uma nova etapa dos carros elétricos.








