O segmento de SUVs médios no Brasil, tradicionalmente, sempre foi dominado por nomes fortes como Jeep Compass, Toyota Corolla Cross, BYD Song e Caoa Chery Tiggo 7. No entanto, em 2025, a Renault decidiu entrar de vez nessa disputa com uma novidade que rapidamente passou a chamar atenção. Revelado no meio do ano e lançado oficialmente em novembro, antes mesmo do Salão do Automóvel de São Paulo, o Renault Boreal chegou com uma proposta clara e bem definida.

Desde o início, a ideia foi simples e eficiente. A marca apostou em conteúdo, tecnologia e refinamento por preços competitivos. Dessa forma, o modelo passou a ser visto como uma alternativa racional e atraente dentro da categoria. Após alguns dias ao volante, a impressão geral se confirmou. Trata-se de um produto que tem argumentos suficientes para incomodar rivais já consolidados.
Proposta clara e foco em custo-benefício
Antes de tudo, um dos principais trunfos do SUV está no equilíbrio entre o que oferece e quanto custa. Em um segmento onde os preços subiram consideravelmente nos últimos anos, a estratégia da Renault foi segurar valores sem abrir mão de equipamentos importantes.
Atualmente, a linha conta com três versões bem definidas
Evolution por R$ 179.990
Techno por R$ 199.990
Iconic por R$ 214.990
Com isso, o modelo se posiciona como uma opção racional para quem busca conforto, tecnologia e bom nível de acabamento. Além disso, não ultrapassa com folga a faixa de preço dos principais concorrentes. Na prática, entrega mais conteúdo pelo mesmo dinheiro, algo que pesa bastante na decisão de compra.
Design que se destaca nas ruas
Visualmente, o SUV aposta em um desenho moderno, elegante e bem resolvido. Mesmo sem exageros, ele chama atenção justamente por ainda ser novidade nas ruas. Além disso, as proporções equilibradas ajudam a reforçar sua presença. A frente marcante e as linhas bem definidas transmitem robustez, enquanto detalhes mais refinados passam uma imagem sofisticada.
O acabamento segue essa mesma linha. Por dentro, os materiais utilizados e o cuidado com os detalhes ajudam a criar uma percepção de valor elevada. Assim, o carro passa aquela sensação clara de custar mais do que realmente custa, algo que costuma agradar consumidores mais exigentes.
Espaço e conforto para a família
No uso diário, o modelo mostra que não é apenas bonito. O espaço interno agrada e, principalmente, oferece bom conforto para quem vai no banco traseiro. Mesmo em viagens mais longas, o nível de comodidade é satisfatório. O porta-malas também merece destaque, com 522 litros no padrão VDA e até 1.279 litros com os bancos rebatidos.
Além disso, a posição de dirigir é bem resolvida e a ergonomia facilita a vida tanto no trânsito urbano quanto na estrada. Com isso, pequenos detalhes acabam reforçando a sensação de estar em um carro de categoria superior.
Tecnologia e equipamentos em destaque
Outro ponto que pesa a favor está no pacote tecnológico. O SUV conta com painel de instrumentos digital e central multimídia, ambos com telas de 10 polegadas. Além disso, oferece diversos sistemas de assistência ao motorista, o que eleva a sensação de segurança.
A conectividade também agrada. A multimídia utiliza o sistema OpenR Link com Google Assistant integrado, oferecendo uma experiência mais inteligente e personalizável. Já na versão Iconic, há ainda o sistema de som premium Harman Kardon com 10 alto-falantes. Dessa forma, o conjunto se torna um dos mais completos da categoria.
Desempenho e prazer ao dirigir
Além de bem equipado, o SUV também é agradável de guiar. Entre os principais concorrentes diretos, ele se destaca pelo comportamento dinâmico mais envolvente. O motor 1.3 TCe turboflex entrega 163 cv de potência e 27,5 kgfm de torque, trabalhando junto ao câmbio automatizado de dupla embreagem e seis marchas.
Por outro lado, não utiliza câmbio CVT, solução bastante comum entre os rivais. Isso pode causar estranheza em quem prioriza conforto absoluto. Ainda assim, o conjunto funciona bem, principalmente no modo Sport, com respostas rápidas e boa sensação de controle ao volante.
Segundo dados do Inmetro, os números oficiais de consumo são:
11,2 km/l com gasolina e 7,8 km/l com etanol na cidade
13,6 km/l com gasolina e 9,4 km/l com etanol na estrada
Na prática, com etanol e uso majoritariamente urbano, o consumo ficou em torno de 7,5 km/l. Considerando o porte e a proposta, o resultado se mostra coerente.
Além disso, a suspensão bem calibrada completa o pacote, garantindo conforto sem comprometer a estabilidade, tanto na cidade quanto em velocidades mais altas.
Percepção de valor acima da média
Por fim, talvez o ponto mais marcante do Renault Boreal seja sua percepção de valor. O carro transmite claramente a sensação de ser mais caro do que realmente é. Isso acontece graças ao design bem resolvido, ao acabamento refinado e ao pacote tecnológico consistente.

Embora seja improvável que alcance os volumes de vendas de líderes como Compass e Corolla Cross, o recado está dado. Pelo conjunto que entrega, o SUV da Renault merece estar entre os protagonistas do segmento.
Assim, para quem avalia SUVs médios com calma, compara versões e prioriza custo-benefício, o modelo surge como uma escolha lógica, equilibrada e competitiva, capaz de incomodar, sim, rivais que até pouco tempo pareciam intocáveis.









