No início de fevereiro de 2026, um movimento silencioso chamou a atenção do mercado automotivo. Compass 4xe e Grand Cherokee 4xe desapareceram do site oficial da Jeep no Brasil sem qualquer comunicado público.

Ambos haviam sido lançados recentemente, em 2022 e 2023, respectivamente. No entanto, desde o começo, os dois modelos enfrentaram dificuldades para conquistar o consumidor brasileiro. Assim, a retirada marca o encerramento de uma fase e, ao mesmo tempo, o início de uma nova estratégia para a marca no país.
Baixo desempenho comercial pesou na decisão
A proposta dos dois SUVs era funcionar como uma vitrine tecnológica, combinando motor a combustão com sistema elétrico recarregável na tomada. Entretanto, alguns obstáculos limitaram seu sucesso.
Entre os principais fatores, destacam-se:
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Preço elevado, que chegou perto dos R$ 350 mil no lançamento
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Infraestrutura de recarga ainda limitada no Brasil
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Concorrentes com propostas semelhantes e valores mais baixos
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Público reduzido para modelos híbridos plug-in
Além disso, mesmo após campanhas promocionais e descontos, as vendas continuaram em níveis muito baixos. Em 2025, foram cerca de 100 unidades do Compass 4xe e apenas 36 unidades do Grand Cherokee 4xe, segundo dados do setor.
Portanto, manter esses modelos em linha deixou de ser viável do ponto de vista comercial.
Mudança estratégica da Stellantis
A saída dos dois SUVs não representa apenas o fim de produtos específicos. Pelo contrário, ela indica uma mudança clara na estratégia da Stellantis no Brasil.
Em vez de insistir em híbridos plug-in importados, a empresa decidiu apostar em veículos híbridos produzidos localmente, com tecnologia adaptada às condições brasileiras. Dessa forma, o polo industrial de Goiana (PE) passa a ser o centro da nova fase de eletrificação.
Além disso, a prioridade agora é desenvolver modelos que utilizem etanol aliado à eletrificação leve, sem a necessidade de recarga externa.
O que é a tecnologia Bio-Hybrid?
A nova solução recebe o nome de Bio-Hybrid e combina:
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Motor flex (etanol e gasolina)
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Sistema híbrido leve (MHEV)
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Maior eficiência energética
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Menor custo de produção
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Uso mais simples no dia a dia
Com isso, o consumidor não precisa mudar sua rotina. Ou seja, não há necessidade de instalar carregadores nem procurar pontos de recarga. O carro funciona como um modelo convencional, porém com consumo menor e emissões reduzidas.
Assim, a eletrificação se torna mais acessível e prática.
Novos modelos híbridos nacionais a caminho
Enquanto os modelos 4xe deixam o mercado, outros produtos começam a ganhar protagonismo.
Entre os planos da Stellantis, estão:
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Nova geração do Renegade, já com sistema híbrido leve
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Nova geração do Compass, também eletrificada e produzida no Brasil
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Jeep Avenger, posicionado abaixo do Renegade e com versão híbrida
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Novo Peugeot 3008, compartilhando plataforma e tecnologia
Além disso, esses modelos permitirão à marca disputar mercado com rivais já consolidados, como Corolla Cross Hybrid, GWM Haval H6, BYD Song e novos SUVs eletrificados que chegam ao país.
O futuro do Grand Cherokee no Brasil
Por outro lado, o Grand Cherokee deve seguir um caminho diferente. Por ser um SUV grande, caro e importado, sua presença tende a ser mais limitada.
Nesse cenário, ele poderá retornar apenas em situações específicas, como:
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Vendas sob encomenda
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Séries especiais
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Atuação em nichos de mercado
Assim, seu papel será mais simbólico do que estratégico em volume de vendas.
Um reposicionamento alinhado ao consumidor brasileiro
O mercado brasileiro mostrou que deseja eletrificação. No entanto, também exige preço acessível, praticidade e adaptação local.
A experiência com os híbridos plug-in importados serviu como aprendizado. Agora, a Jeep aposta em uma solução mais realista:
híbridos nacionais, flex e escaláveis.
Dessa maneira, a marca busca manter sua relevância nos segmentos de SUVs médios e compactos, que estão cada vez mais disputados.
O desaparecimento dos Compass 4xe e Grand Cherokee 4xe do site da Jeep não é apenas o fim de dois modelos. Pelo contrário, ele representa uma virada estratégica importante.
A marca deixa de oferecer híbridos plug-in importados de baixo volume e passa a investir em:
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Produção nacional
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Tecnologia híbrida flex
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Preços mais competitivos
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Maior alcance de público
Por fim, a transição foi silenciosa, mas significativa. A eletrificação da Jeep no Brasil entra agora em uma fase mais prática, acessível e alinhada ao que o consumidor brasileiro realmente procura.









