Omoda-Jaecoo cresce no Brasil e puxa nova onda de eletrificadas

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A nova leva de marcas automotivas que desembarca no Brasil em 2026 não veio para testar o mercado. Pelo contrário, os dados mais recentes da Fenabrave, referentes a janeiro, mostram que fabricantes como Omoda-Jaecoo, GAC, Leapmotor, MG e Zeekr já começam a ocupar um espaço relevante dentro do segmento de eletrificados.

Omoda 7 / Foto: Omoda & Jaecoo

Diferentemente de movimentos anteriores, quando algumas marcas entravam de forma tímida, agora o cenário é outro. Essas empresas chegam com estratégias bem definidas, focadas principalmente em eletrificação, preços competitivos e portfólio enxuto.

Como resultado, o impacto aparece rapidamente nos números de emplacamentos.

Omoda-Jaecoo lidera entre as recém-chegadas

Entre todas as novas marcas, a Omoda-Jaecoo é quem chama mais atenção neste início de 2026. A operação comercial começou em abril de 2025 e, em menos de um ano, a fabricante já aparece entre os principais volumes do segmento eletrificado.

Em janeiro de 2026, foram 1.648 veículos híbridos emplacados, o que garantiu cerca de 8,6% de participação dentro do mercado de eletrificados.

Esse desempenho é incomum para uma marca tão recente no país e mostra que a estratégia foi bem calculada desde o início.

Além disso, o volume está fortemente concentrado em dois modelos:

  • Omoda 5 (HEV) com cerca de 1.067 unidades

  • Jaecoo 7 (PHEV) com aproximadamente 476 unidades

  • O restante do volume vem de registros residuais

  • O interior dos SUVs aposta em visual moderno e boa oferta de tecnologia embarcada

Assim, praticamente toda a performance da marca está apoiada nesses dois produtos, que encontraram espaço entre os SUVs eletrificados.

GAC aposta em equilíbrio entre híbridos e elétricos

Enquanto a Omoda-Jaecoo foca mais nos híbridos, a GAC adota uma postura diferente. A marca mostrou uma entrada mais equilibrada entre tecnologias.

Em janeiro, foram registrados:

  • 488 veículos híbridos

  • 220 veículos elétricos puros

Ou seja, a empresa constrói sua presença atuando em duas frentes ao mesmo tempo. Dessa forma, tenta atender tanto quem ainda prefere transição gradual quanto quem já busca um carro 100% elétrico.

Essa estratégia indica um crescimento mais controlado, porém consistente.

Leapmotor se destaca com o sistema de extensor de autonomia

A Leapmotor representa um dos casos mais interessantes do ponto de vista técnico e comercial. No total, a marca somou cerca de 442 veículos eletrificados no mês.

A divisão mostra um perfil bastante específico:

  • Aproximadamente 408 unidades híbridas

  • Cerca de 34 unidades elétricas puras

  • A maior parte ligada ao modelo C10 na configuração REEV

  • O interior do veículo segue padrão tecnológico com foco em conectividade

Na prática, isso significa que o grande motor das vendas é o sistema com extensor de autonomia, no qual o motor a combustão funciona apenas como gerador de energia para a bateria.

Esse tipo de arquitetura ainda é novidade no Brasil e, ao que tudo indica, despertou curiosidade do consumidor que busca eletrificação sem depender totalmente da infraestrutura de recarga.

MG e Zeekr ainda estão em fase inicial

MG e Zeekr aparecem em um estágio mais inicial de consolidação no mercado brasileiro.

A MG registrou pouco mais de 100 elétricos em janeiro, mesmo oferecendo modelos com preços mais competitivos, como MG4 e MG S5. Ainda assim, o volume mostra que a marca precisa ganhar mais visibilidade e rede de atendimento.

A Zeekr, por sua vez, ficou próxima das 50 unidades no mesmo período. Embora o número seja modesto, ele é considerado coerente com a proposta premium da fabricante, que trabalha com público mais restrito.

Portanto, ambas ainda estão em fase de construção de imagem e posicionamento.

Mercado de eletrificados cresce em ritmo acelerado

Todo esse movimento acontece dentro de um cenário bastante favorável. Segundo a Fenabrave, o mercado de eletrificados no Brasil cresceu mais de 60% na comparação anual em janeiro.

Mais impressionante ainda é o desempenho dos elétricos puros, que mais do que dobraram no período.

Isso ajuda a explicar por que tantas marcas novas escolheram o Brasil como prioridade estratégica. O consumidor está mais aberto à eletrificação, e o mercado começa a ganhar escala real.

Um novo tipo de concorrência no setor automotivo

No conjunto, os números mostram que essa nova geração de marcas chega com perfil muito mais competitivo. Em vez de volumes simbólicos, elas entram com planos claros:

  • Algumas buscam escala rápida

  • Outras preferem crescimento gradual

  • Todas têm foco direto em eletrificação

  • Os modelos de negócio já nascem adaptados à transição energética

Se essa tendência continuar, a disputa por espaço no mercado brasileiro deixará de ser apenas entre marcas tradicionais e novos entrantes isolados. Passará, então, a envolver um grupo de fabricantes que já nasce pensando em eletrificação como eixo principal.

Em resumo, o Brasil deixou de ser apenas um mercado de testes para se tornar um campo real de competição entre uma nova geração de montadoras.

Fonte: Fenabrave

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