A Nissan decidiu mudar completamente a estratégia da Frontier na linha 2026. Em vez de manter várias versões com propostas diferentes, a marca optou por um reposicionamento mais claro e direto. Com isso, saem de cena as configurações mais simples e entra uma linha focada apenas no topo de gama. O resultado é uma picape mais sofisticada, tecnológica e, naturalmente, mais cara.

Adeus às versões básicas
A principal mudança está justamente no que deixou de existir. A fabricante descontinuou as versões S MT, SE AT e XE AT. Assim, a Frontier deixa de atender diretamente o público que buscava uma picape média mais simples, muito comum entre frotistas.
Ao mesmo tempo, essa decisão eleva o ticket médio do modelo e reforça sua imagem frente às principais rivais do segmento, apostando mais em valor agregado do que em volume puro.
Quais versões continuam à venda
Com o corte nas versões de entrada, o portfólio ficou mais enxuto e fácil de entender. Agora, são apenas três configurações, cada uma com um posicionamento bem definido.
A Attack passa a ser a nova porta de entrada, mas com apelo visual esportivo e mais tecnologia. Já a Platinum foca no conforto, no acabamento refinado e no uso urbano.
Por fim, a Pro-4X mantém a proposta off-road, com visual robusto e recursos voltados para trilhas.
Motor unificado em toda a linha
Outra consequência direta da nova estratégia foi a padronização mecânica. Ou seja, acabou a oferta de motores mais simples. Toda a linha passa a usar o mesmo conjunto.
O motor é o 2.3 biturbo diesel, que entrega 190 cv de potência e 46 kgfm de torque, sempre associado ao câmbio automático de sete marchas e à tração 4×4 com reduzida. Dessa forma, a picape garante força tanto no uso diário quanto fora de estrada.
Desempenho, consumo e capacidade
Mesmo com porte robusto, os números seguem competitivos. Por exemplo, a aceleração de zero a 100 km/h ocorre em 11,3 segundos, enquanto a velocidade máxima chega a 180 km/h. Além disso, o tanque de 73 litros contribui para uma boa autonomia, próxima dos 800 km.
No consumo, a média fica em 9,1 km/l na cidade e 11,0 km/l na estrada. Já a capacidade de carga mínima é de 1.010 kg em todas as versões, o que mantém a vocação para o trabalho pesado.
Attack ficou mais completa em 2026
Entre todas as versões, a Attack foi a que mais evoluiu. Antes vista como visualmente agressiva, porém simples, agora ela recebe um pacote tecnológico bem mais completo. Entre os destaques, estão o alerta de colisão frontal, a frenagem autônoma de emergência e o detector de fadiga do motorista.
Além disso, toda a linha passa a oferecer a desativação do airbag do passageiro por meio da chave, com indicação no painel. Esse recurso é especialmente útil em situações específicas, como o transporte de cadeirinhas infantis, sempre dentro do que a lei permite.
Equipamentos e preços de cada versão
A Attack custa R$ 270.899 e traz visual escurecido, central multimídia de 8 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay, câmera de ré, ar-condicionado manual com saídas traseiras, seis airbags, controle de descida, monitoramento da pressão dos pneus e estribos laterais.
O interior aparece aqui como um ambiente funcional, pensado para resistência e uso diário.
Já a Platinum, por R$ 319.990, adiciona teto solar, câmera 360 graus, ar-condicionado digital dual zone, chave presencial, bancos em couro sintético, ajuste elétrico para o motorista e um pacote completo de assistências à condução, incluindo alerta de faixa, ponto cego, farol alto automático e tráfego cruzado.
A Pro-4X custa R$ 303.526 e, embora parta da Platinum, adota visual mais aventureiro. Ela troca cromados por detalhes off-road, usa pneus de uso misto e conta com bloqueio mecânico do diferencial traseiro, essencial para trilhas mais exigentes.
Garantia segue como diferencial
Por fim, a garantia de seis anos sem limite de quilometragem, válida para pessoa física, continua sendo um dos maiores atrativos do modelo. Nesse sentido, a cobertura ampla ajuda a compensar o aumento de preços e reforça a proposta de valor da picape no longo prazo.
Vale a pena com esse novo posicionamento?
Com preços mais altos e menos opções, a nova estratégia pode afastar parte do público que buscava uma picape média mais acessível. Por outro lado, o ganho em tecnologia, segurança e padronização mecânica aproxima o modelo das líderes do segmento.
Agora, resta saber se o mercado vai interpretar esse movimento como perda de competitividade ou como uma valorização frente a rivais como Hilux e Ranger. Essa resposta deve ficar clara ao longo de 2026