Houve um tempo em que falar de SUV compacto no Brasil era praticamente falar de dois modelos. Naquele período, eles lideraram vendas, ditaram tendências e ajudaram a consolidar um dos segmentos mais importantes do mercado automotivo.

No entanto, o cenário mudou. Em 2025, quem fechou o ano no topo foi o Volkswagen T-Cross, com 92.837 unidades vendidas, segundo a Fenabrave. Enquanto isso, o Tracker terminou em quinto lugar, com 60.837 emplacamentos, e o Renegade caiu para a 11ª posição, com 44.793 unidades.
Ainda assim, ambos continuam relevantes. Além disso, existe um detalhe curioso: custam praticamente o mesmo.
Preço parecido, proposta diferente
Atualmente, a versão de entrada do Renegade parte de R$ 118.290, enquanto o Tracker automático começa em R$ 119.900. Ou seja, a diferença é de pouco mais de R$ 1.600.
Por isso, a comparação se torna inevitável. Quando o preço é tão próximo, a escolha passa a depender muito mais do perfil do motorista do que do valor na tabela.
Motor e desempenho: força contra leveza
Aqui aparece a maior diferença entre os dois. De um lado, o Renegade aposta em um motor 1.3 turbo de 185 cv e 27,5 kgfm de torque, com aceleração de 0 a 100 km/h em cerca de 9,5 segundos. Além disso, o torque surge cedo, o que ajuda bastante em retomadas e ultrapassagens.
Na prática, é um SUV que se mostra mais disposto, especialmente para quem viaja com frequência ou gosta de respostas rápidas do acelerador.
Por outro lado, o Tracker segue outro caminho. Seu motor é 1.0 turbo de 117 cv e até 18,9 kgfm de torque. Ele é bem menos potente, porém também é mais leve, o que compensa parte dessa diferença.
Assim, o modelo da Jeep entrega mais força, enquanto o da Chevrolet aposta em eficiência e uso urbano. Para a rotina da cidade, ambos dão conta do recado sem dificuldade.
Consumo: vantagem discreta para o Chevrolet
No dia a dia, o consumo pesa no bolso e, nesse ponto, o Tracker começa a marcar pontos.
Por exemplo, no consumo urbano com gasolina, os números mostram pequena vantagem:
Renegade: 11,1 km/l
Tracker: 11,5 km/l
Já na estrada, a diferença aumenta:
Renegade: 12,4 km/l
Tracker: 13,8 km/l
Portanto, para quem roda bastante, essa economia pode fazer diferença ao longo do ano.
Espaço e dimensões: equilíbrio com nuances
Em tamanho, os dois são praticamente iguais. Ambos têm cerca de 4,26 metros de comprimento e 2,57 metros de entre-eixos.
Mesmo assim, há detalhes importantes. O Renegade tem 18,6 cm de altura livre do solo, contra 15,7 cm do Tracker. Desse modo, reforça uma proposta mais robusta e mais próxima do conceito tradicional de SUV.
Em contrapartida, no porta-malas o modelo da Chevrolet leva leve vantagem:
Renegade: 385 litros
Tracker: 393 litros
Na prática, o espaço atende bem famílias pequenas e uso cotidiano.
Equipamentos: estilos distintos
Os dois oferecem pacote básico de segurança semelhante, com seis airbags, controles de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa e central multimídia com espelhamento sem fio.
Além disso, o Tracker se destaca por trazer itens como chave presencial, partida por botão, faróis e luz diurna em LED e sensor de estacionamento traseiro já na versão de entrada.

Por sua vez, o Renegade aposta em rodas de liga leve, faróis full LED, direção com ajustes mais completos e construção mais robusta.
Inclusive, existe um fator subjetivo importante. O modelo da Jeep tem identidade visual muito marcante. Já o Chevrolet é mais discreto, porém se beneficia da tradição da marca no mercado brasileiro.
Seguro e revisões: onde a diferença pesa mais
Quando o assunto é custo de uso, a distância entre eles cresce bastante.
Por exemplo, considerando o mesmo perfil de motorista em São Paulo:
Seguro anual:
Renegade: R$ 7.277,63
Tracker: R$ 3.898,36
Ou seja, praticamente metade do valor.
Da mesma forma, nas revisões ocorre o mesmo cenário:
Revisões (cinco primeiras):
Renegade: R$ 5.268
Tracker: R$ 3.340
Logo, no custo total de propriedade, o SUV da Chevrolet é claramente mais amigável para o orçamento.
Ex-líderes ainda valem a pena?
O mercado mudou e a concorrência se tornou mais agressiva. No entanto, isso não significa que esses dois deixaram de ser boas opções. Eles apenas perderam o posto de protagonistas absolutos.
Se, por um lado, quem busca mais desempenho, maior altura do solo e uma proposta mais robusta tende a se identificar com o Renegade, por outro, quem prioriza economia, seguro mais barato e manutenção acessível encontra no Tracker uma escolha mais racional.
Por fim, talvez a pergunta mais importante não seja qual é o líder do mercado, mas qual combina melhor com a sua rotina. E, desse modo, a decisão se torna mais pessoal do que comercial.









