Assim como quase todos os SUVs mais recentes, o Compass costuma receber críticas por ser visto como um utilitário mais urbano e menos preparado para trilhas.
O discurso é conhecido: menos robustez, mais conforto e foco no asfalto.

No entanto, essa visão ignora um ponto importante. O modelo não é um carro único, mas sim uma família de versões com propostas bem diferentes, que atendem públicos distintos.
Na linha 2026, isso fica claro ao comparar a versão de entrada com a topo de linha. A diferença de preço chega perto de R$ 100 mil, refletindo mudanças grandes em motor, tração, equipamentos e proposta de uso.
Diferença de preço revela propostas opostas
A versão Sport T270 Flex parte de R$ 174.990, enquanto a Blackhawk Hurricane Flex alcança R$ 274.290. Apesar de compartilharem a mesma carroceria e espaço interno, o que cada uma oferece é completamente diferente.
Em outras palavras, trata-se praticamente de dois SUVs dentro do mesmo nome.
Como é a versão mais básica
O Sport T270 Flex usa motor 1.3 turbo flex de 185 cv e 27,5 kgfm de torque, sempre com câmbio automático de seis marchas e tração dianteira. É um conjunto voltado para o dia a dia, com respostas suficientes no trânsito e bom desempenho na estrada.
O desempenho é equilibrado: aceleração de 0 a 100 km/h em 9,2 segundos e velocidade máxima de 206 km/h. O consumo também é mais contido dentro do segmento, chegando a 12 km/l na estrada com gasolina.
Em equipamentos, entrega o que se espera hoje de um SUV médio moderno, com foco em conforto e conectividade. O interior traz painel digital, central multimídia com espelhamento sem fio e ar-condicionado automático dual zone.
Por outro lado, essa versão não tem tração integral nem seletor de terrenos. O sistema Jeep Traction Control+ ajuda em situações pontuais, mas o foco é claramente urbano e rodoviário.
Ou seja, é uma escolha pensada para quem quer um SUV médio confortável, seguro e prático para o uso diário.
Ficha técnica – versão Sport T270 Flex
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Preço: R$ 174.990
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Motor: 1.3 turbo flex
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Potência: 185 cv
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Torque: 27,5 kgfm
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Câmbio: automático de seis marchas
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Tração: dianteira
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0 a 100 km/h: 9,2 s
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Velocidade máxima: 206 km/h
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Consumo estrada: até 12 km/l (gasolina)
Quando entra em cena a versão Blackhawk
A Blackhawk Hurricane Flex muda completamente a proposta.
Aqui, entra o motor 2.0 turbo Hurricane flex com 272 cv e 40,8 kgfm de torque, combinado ao câmbio automático de nove marchas e à tração integral permanente Jeep Active Drive Low.
O desempenho salta para outro patamar: 0 a 100 km/h em 6,3 segundos e velocidade máxima de 228 km/h.
Além disso, surgem recursos voltados ao fora de estrada, como seletor de terrenos e controle eletrônico de descida. Essa versão também concentra o pacote mais completo de tecnologia e segurança da linha.
O interior recebe painel digital maior, central multimídia de 10,1 polegadas, sistema de som premium, bancos elétricos e acabamento diferenciado. O teto solar panorâmico reforça a proposta mais sofisticada.
Nesse ponto, o SUV deixa de ser apenas urbano e passa a se aproximar do DNA tradicional da marca, com mais desempenho e capacidade em terrenos variados.
Ficha técnica – versão Blackhawk Hurricane Flex
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Preço: R$ 274.290
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Motor: 2.0 turbo Hurricane flex
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Potência: 272 cv
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Torque: 40,8 kgfm
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Câmbio: automático de nove marchas
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Tração: integral permanente
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0 a 100 km/h: 6,3 s
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Velocidade máxima: 228 km/h
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Consumo estrada: até 11 km/l (gasolina)
Dimensões e diferenças importantes
As dimensões gerais são iguais entre as versões, mas a altura do solo muda, o que influencia diretamente no uso fora de estrada.
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Comprimento: 4,40 m
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Largura: 1,81 m
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Altura: 1,63 m
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Entre-eixos: 2,63 m
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Altura do solo:
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20,9 cm (Sport)
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22,8 cm (Blackhawk)
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Porta-malas: 476 litros
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Tanque: 55 litros
Além disso, a versão básica usa rodas de 18 polegadas, enquanto a Blackhawk traz rodas de 19 polegadas.
As críticas de que o Compass ficou urbano demais não são totalmente erradas, mas também não contam a história completa. A versão Sport é claramente pensada para o asfalto, conforto e uso familiar. Já a Blackhawk resgata o espírito mais aventureiro da marca, com tração integral, motor forte e recursos voltados a diferentes tipos de terreno.
No fim das contas, tudo depende do perfil do motorista. Quem busca economia e praticidade vai se sentir bem na versão de entrada. Quem quer desempenho, tecnologia e uma ligação maior com o DNA off-road encontra isso na topo de linha.
Portanto, dizer que ele é apenas um SUV urbano é simplificar demais uma gama que hoje oferece propostas bem distintas dentro do mesmo modelo.