O Chery QQ está oficialmente de volta, porém em um contexto totalmente diferente do passado. Agora elétrico, o novo QQ3 apareceu no mais recente catálogo do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China (MIIT), o que confirma suas especificações técnicas finais. Esse registro surge pouco mais de cinco meses após a estreia pública no Salão de Chengdu 2025 e indica que o modelo está, de fato, pronto para chegar às ruas.

Além disso, a homologação mostra que o projeto deixou de ser apenas uma proposta conceitual. Na prática, trata-se de um elétrico urbano com ambições claras, mirando diretamente rivais como BYD Dolphin e Geely EX2, dois nomes fortes do segmento.
Um retorno estratégico em um novo cenário
Diferente do que aconteceu no passado, o QQ retorna com um reposicionamento completo. Em vez de um subcompacto simples, a Chery aposta agora em um hatch elétrico de porte maior, com foco no uso urbano e no equilíbrio entre espaço, eficiência e preço.
Com isso, a marca busca atender um público que quer entrar no mundo dos elétricos, mas sem abrir mão de conforto e praticidade no dia a dia. Ou seja, o projeto foi pensado para ir além do básico.
Motorização prioriza eficiência no início
Um dos pontos mais comentados desde a apresentação inicial era a motorização. No entanto, a homologação trouxe uma mudança importante. Embora se especulasse um motor de até 90 kW (121 cv), o registro oficial aponta um conjunto mais simples, com 58 kW (79 cv).
Esse motor elétrico é fornecido pela Suzhou Inovance Automotive e permite velocidade máxima de 125 km/h. Dessa forma, a estratégia da Chery fica clara. Primeiro, lançar uma versão de entrada, mais eficiente e acessível. Depois, possivelmente, ampliar a gama com variantes mais potentes.
Dimensões colocam o modelo em outro patamar
As medidas oficiais ajudam a entender melhor onde o QQ3 se posiciona no mercado. O hatch mede 4.195 mm de comprimento, 1.811 mm de largura, 1.569 mm de altura e conta com entre-eixos de 2.700 mm.
Esse número, inclusive, é exatamente o mesmo do BYD Dolphin. Por isso, qualquer comparação com elétricos menores perde sentido. Na prática, o espaço interno passa a ser um dos principais argumentos do modelo.
Design jovem e alto nível de personalização
No visual, o hatch mantém a proposta jovem já vista nos salões, mas traz detalhes que reforçam sua identidade. O logotipo “Qq” centralizado, os faróis com assinatura luminosa em formato que lembra olhos e as opções de teto bitom ajudam a criar um visual simpático e moderno.
Além disso, a documentação do MIIT revela uma estratégia interessante. O modelo terá ampla possibilidade de personalização, com rodas de 16 ou 17 polegadas, diferentes retrovisores e até versões sem sensores ou câmeras. Assim, a Chery consegue oferecer desde configurações mais simples até opções mais completas.
Bateria LFP reforça proposta racional
Outro ponto relevante está no conjunto de baterias. O QQ3 utilizará células de fosfato de ferro-lítio (LFP) fornecidas pela Guoxuan High-Tech (Gotion), parceira estratégica da Volkswagen na China.
Embora a capacidade não tenha sido divulgada, o uso dessa tecnologia indica foco em durabilidade, menor custo e maior segurança térmica. Portanto, trata-se de uma escolha alinhada à proposta urbana e racional do carro.
Lançamento em 2026 e possibilidade de novos mercados
Com a homologação publicada, o modelo entra oficialmente na reta final antes do lançamento, previsto para 2026. Apesar de ainda não existir confirmação de exportação, o conjunto técnico chama atenção de mercados emergentes, inclusive o Brasil.
Por aqui, uma eventual chegada dependeria da Caoa Chery, que atualmente oferece apenas o iCar como elétrico em seu portfólio. Ainda assim, com o crescimento dos compactos elétricos no país, um hatch maior e mais espaçoso pode encontrar espaço com relativa facilidade.
O novo QQ mostra como a Chery adaptou um nome conhecido às exigências atuais do mercado. Agora, o antigo popular dá lugar a um hatch elétrico moderno, bem dimensionado e focado em eficiência. Se chegar com preço competitivo, tem tudo para se tornar um concorrente real dentro do segmento e, quem sabe, repetir parte do sucesso que o nome já teve no passado.