Toyota SW4 que se cuide: Haval H9 é um gigante que surpreende no uso urbano

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O GWM Haval H9 chega ao mercado brasileiro como um verdadeiro “estranho no ninho”. Trata-se de um SUV de sete lugares com chassi de picape, tração 4×4 e motor diesel. Tudo isso por R$ 329 mil, cerca de R$ 100 mil a menos que rivais diretos com a mesma proposta raiz.

GWM Haval H9 / Foto: Divulgação

É normal desconfiar. Um carro desse tamanho, com construção robusta e pacote tecnológico completo, custando o mesmo que SUVs médios urbanos, parece bom demais para ser verdade. Passei alguns dias usando o modelo principalmente na cidade e também na estrada para entender se ele faz sentido fora da terra batida.

A surpresa foi positiva.

Um SUV raiz em tempos de SUVs urbanos

O mercado mudou muito. Hoje, a maioria dos SUVs é baseada em plataformas de carros de passeio, com foco em conforto urbano. O H9 vai na contramão dessa tendência e resgata a essência dos utilitários esportivos clássicos.

Com quase cinco metros de comprimento, mais de 1,9 metro de altura e 22 cm de vão livre do solo, ele deixa claro que nasceu para enfrentar terrenos difíceis. Mesmo assim, no uso urbano, não se mostrou tão desajeitado quanto se poderia imaginar.

Logo ao abrir a porta, os estribos elétricos facilitam bastante o acesso, eliminando aquela sensação de estar subindo em um caminhão. No dia a dia, isso faz toda a diferença.

Conforto acima da média para sete ocupantes

O espaço interno é um dos grandes destaques. A terceira fileira comporta dois passageiros com conforto razoável, especialmente crianças ou adultos de até 1,70 m. Isso coloca o modelo acima da média entre os SUVs de sete lugares.

GWM Haval H9 / Foto: Divulgação

O acabamento tem mais plástico rígido do que se espera em um carro dessa faixa de preço, mas o visual agrada e compensa com uma lista generosa de equipamentos de conforto.

Entre os principais itens estão:

  • Bancos com ventilação, aquecimento, massagem e memória

  • Ar-condicionado de três zonas

  • Teto solar panorâmico

  • Sistema de som com 10 alto-falantes

  • Multimídia de 14,6 polegadas

  • Painel digital de 10,25 polegadas

  • Câmera 540°

Quando a terceira fileira é rebatida, o porta-malas chega a 791 litros, um número excelente para viagens em família.

O único ponto estranho é a tampa do porta-malas, que abre lateralmente como um portão de celeiro e não conta com acionamento elétrico. Funciona, mas foge do padrão atual dos SUVs.

Pacote tecnológico completo

O conjunto de segurança também é robusto. O pacote ADAS oferece direção semiautônoma de nível 2+, com recursos como:

  • Frenagem autônoma de emergência

  • Controle de cruzeiro adaptativo

  • Monitor de ponto cego

  • Assistente de permanência em faixa

  • Alerta de tráfego cruzado traseiro

Na prática, o sistema é bastante conservador. Mantém grande distância do carro da frente e pode incomodar quem prefere uma condução mais dinâmica, mas transmite segurança.

Motor diesel e tração 4×4

A mecânica traz um motor 2.4 turbodiesel de 184 cv e 48,9 kgfm de torque, ligado a um câmbio automático de nove marchas e tração 4×4 com reduzida.

Com mais de 2,5 toneladas, o desempenho é apenas correto. A aceleração de 0 a 100 km/h em 13 segundos deixa claro que não é um SUV esportivo. O consumo médio fica em torno de 9,1 km/l na cidade e 10,4 km/l na estrada.

A suspensão, com duplo A na dianteira e eixo rígido atrás, entrega conforto acima do esperado para um veículo com chassi de picape.

Dirigibilidade urbana surpreende

Rodando no asfalto, o comportamento é mais próximo de um carro de passeio do que de um utilitário pesado. A suspensão é macia, filtra bem as irregularidades e a direção leve ajuda muito em manobras.

As câmeras e sensores fazem diferença em garagens apertadas, especialmente para quem mora em prédio. O isolamento acústico também merece elogios, com pouco ruído entrando na cabine mesmo em velocidades mais altas.

Os pontos negativos ficam por conta do desempenho modesto em ultrapassagens e da resposta lenta do acelerador, claramente ajustada para priorizar conforto.

Custos e manutenção

O modelo conta com garantia de 10 anos e revisões a cada 12 meses ou 12 mil km.

O custo das cinco primeiras revisões soma cerca de R$ 10.755, valor mais alto que o de alguns concorrentes diretos. Já o seguro fica em torno de R$ 3.735, abaixo do Toyota SW4 e próximo ao Jeep Commander diesel.

Vale a pena comprar?

O Haval H9 faz sentido para quem busca um SUV grande, confortável e com espírito off-road por um preço mais acessível que os concorrentes tradicionais.

Ele surpreende no uso urbano, oferece muito espaço interno, bom pacote tecnológico e conforto digno de modelos mais caros. Fica devendo em desempenho, mas entrega versatilidade.

GWM Haval H9 / Foto: Divulgação

Desse modo, para quem quer um carro para a família durante a semana e para trilhas leves ou estradas de terra nos finais de semana, é uma alternativa que merece atenção.

Sendo assim, o Haval H9 é um daqueles carros que desafiam o senso comum. Grande, pesado e com chassi de picape, mas confortável, tecnológico e relativamente fácil de usar no dia a dia.

Não é perfeito, mas se destaca pelo custo-benefício, pelo espaço interno e pela proposta raiz em um mercado cada vez mais urbano.

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