O Kait 2026 chega ao mercado brasileiro como uma jogada estratégica da Nissan. Na prática, a marca japonesa optou por não reinventar a roda. Em vez disso, manteve as principais qualidades do Kicks Play, seu antecessor, e resolveu justamente os pontos que já pediam atualização. O resultado é um SUV que preserva a essência que conquistou o público, mas se apresenta mais atual, competitivo e alinhado ao momento do mercado.

A proposta é clara. Aproveitar uma base já conhecida por sua robustez, bom espaço e custos previsíveis, enquanto entrega um visual renovado e uma lista de equipamentos mais moderna. E, olhando o contexto, a decisão faz sentido.
Afinal, não é comum aposentar um modelo que foi o carro mais vendido da marca no país em 2025. Ainda assim, a Nissan decidiu correr o risco, apostando que a evolução natural traria resultados ainda melhores nos próximos meses.
Uma transição ousada, mas calculada
Para entender o tamanho da aposta, basta olhar os números de emplacamentos do fim de 2025, segundo dados da JATO. Nos últimos três meses daquele ano, o Kicks Play manteve vantagem confortável sobre o Novo Kicks.
Em outubro, foram 3.439 unidades contra 2.282. Em novembro, 3.521 contra 2.125. Já em dezembro, o antigo SUV fechou com 4.083 unidades, enquanto o Novo Kicks somou 2.350.
Mesmo assim, a Nissan seguiu com o plano de transição. A expectativa interna é que o Kait registre uma leve alta em relação aos volumes do Kicks Play e, ao mesmo tempo, ajude a impulsionar as vendas do Novo Kicks, criando um equilíbrio mais saudável dentro do portfólio.
Por que o Kait 2026 é uma cartada inteligente da Nissan?
A estratégia por trás do lançamento se sustenta em alguns pilares bem definidos, que conversam diretamente com o perfil do consumidor brasileiro desse segmento.
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Bom espaço interno, com dimensões acima da média dos SUVs de entrada, favorecendo conforto e praticidade no dia a dia.
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Porta-malas de 432 litros, que mantém a capacidade já conhecida e segue como um diferencial frente a vários concorrentes.
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Conjunto mecânico conhecido, focado em confiabilidade, manutenção simples e custos previsíveis.
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O interior recebeu melhorias visuais e de acabamento, elevando a percepção de qualidade sem perder a proposta funcional.
Com 4,30 metros de comprimento e entre-eixos de 2,61 metros, o modelo se posiciona de forma interessante frente a rivais diretos como Volkswagen Tera e Fiat Pulse, que oferecem medidas mais contidas em diferentes aspectos.
Mecânica sem surpresas, e isso é um ponto positivo
A Nissan optou por manter exatamente o mesmo conjunto mecânico já utilizado no Kicks Play. Trata-se do motor 1.6 flex aspirado, de quatro cilindros, que entrega até 113 cv com etanol e 110 cv com gasolina, sempre associado ao câmbio automático CVT Xtronic.
Essa escolha reforça a proposta de uso descomplicado. As acelerações são lineares, as trocas de marcha são suaves e o comportamento geral é previsível, algo muito valorizado por quem busca um SUV para a rotina urbana e viagens ocasionais.
Além disso, o consumo segue dentro do esperado para a categoria. Com etanol, são 7,8 km/l na cidade e 9,4 km/l na estrada. Já com gasolina, os números sobem para 11,3 km/l no uso urbano e 13,7 km/l em rodovias.
Versões, preços e equipamentos
O Kait é oferecido em quatro versões, com preços que vão de R$ 117.990 a R$ 152.990. Desde a configuração de entrada, o pacote já inclui rodas de 17 polegadas, faróis e lanternas full-LED e central multimídia de 8 polegadas.
Nas versões mais completas, entram painel digital, central multimídia de 9 polegadas, carregador por indução e sistemas avançados de assistência ao motorista, como alerta de colisão, frenagem automática de emergência e assistentes de permanência em faixa.
Esse equilíbrio entre versões ajuda a atender desde quem busca um SUV mais acessível até consumidores que fazem questão de tecnologia e segurança.
Design atualizado sem perder identidade
Visualmente, o novo SUV aposta em uma identidade mais moderna, mas sem romper totalmente com o passado. A barra que conecta as lanternas traseiras e o nome centralizado na tampa do porta-malas ajudam a reforçar a nova linguagem da Nissan.
O desenho é mais atual e alinhado às tendências do segmento, porém sem exageros. Isso garante que o modelo agrade tanto quem vem do Kicks Play quanto novos compradores que buscam um SUV compacto com aparência mais refinada.
Valeu a pena manter o DNA do Kicks Play?
No conjunto da obra, a resposta tende a ser positiva. O Kait 2026 mantém aquilo que já funcionava bem, como espaço interno, mecânica confiável e proposta racional, enquanto corrige pontos que já não acompanhavam o mercado, especialmente em design e tecnologia.
A aposta é conservadora, mas inteligente. Em um segmento cada vez mais disputado, a Nissan optou por evoluir com cuidado, evitando riscos desnecessários. Se os números de vendas confirmarem as expectativas, a estratégia terá sido não apenas ousada, mas também certeira.